quarta-feira, 9 de maio de 2012




Talvez o mundo não seja pequeno.
Talvez saudade não faça chorar
É certo que a realidade existe
Somente enquanto ela puder durar! 

Talvez a gente não precise tanto
Talvez o encanto seja imaginar
É certo que a felicidade existe
Somente enquanto ela puder durar! 
Somente enquanto ela puder durar!  (bis X4)

Talvez os outros sejam os errados
Talvez pecados sejam pra pecar
É certo que qualquer mentira existe
Somente enquanto ela puder durar! 

Talvez quem pague o pato seja bobo
Talvez o povo possa se virar
É certo que qualquer conserto existe
Somente enquanto ele puder durar!
Somente enquanto ela puder durar!  (bis X4)

Se dura, dura, dura...
Fica escura, escura, escura...
A essa altura... é pura!
E atura
tudo que pode durar!

Talvez a dor não seja assim tão grande
Talvez quem mande saiba comandar
É certo que qualquer poder existe
Somente enquanto ele puder durar!

Talvez aos poucos seja muito lento.
Talvez às pressas possa nem chegar
É certo que qualquer desejo existe
Somente enquanto ele puder durar! 
Somente enquanto ela puder durar!  (bis X4)

Se dura, dura, dura...
Fica escura, escura, escura...
A essa altura... é pura!
E atura
tudo que pode durar!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010




Enquanto você se traveste todo dia
Metade tristeza, metade alegria
Se mete ou se manda
Se mostra ou se esconde
Se vende ou se compra
Eu faço de conta...

Que enquanto você se traveste toda hora
Metade de amanhã, metade do agora
Se enfrenta ou se rende
Só faz diferente
Se dá ou se come
Se mata tua fome...

Eu sei
O todo e por completo serei
Um tonto, um tanto louco e farei...
um pouco de tudo que sempre sonhei!


Enquanto você se traveste todo tempo
metade uma pluma, metade tormento.
Se bóia ou se afunda,
se lembra ou se esquece.
Se diz ou se cala
eu saio da sala...

Enquanto você se traveste de educado,
Metade um pastor, metade um viado...
Se gasta ou se investe,
se reza ou blasfema.
Se despe ou se enfeita?
Eu sei quem me aceita!

Eu sou...
o todo e por completo.
E estou bem tonto, um tanto louco e restou
um pouco de tudo que sempre faltou!

sábado, 14 de agosto de 2010


Leibovich

Aqui uivam os ventos!
Janelas em terremoto acordam lobos famintos.
Vem vindo no vento – e em vão todo o tempo!
O que posso farejar? O que não vejo? Mas sinto...

Aqui uivam os vivos!
Panelas e panelaços discordam em labirintos.
Vem vindo na vida – e busca saída –
no que posso farejar. O que não vejo mas sinto!

Aqui uivam as almas!
Chinelas e camisolas assombram até o extinto.
Vem vindo voando – e vai me deixando – só
Com o que posso farejar, o que não vejo. Mas sinto...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


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Eu tenho uma caixa preta.
Segredos inconfessáveis,
notícias impublicáveis,
pedaços da minha cabeça.
Eu tenho na caixa preta
registros de meus amantes,
viagens alucinantes,
lagartas e borboletas...
A vida fora da caixa
é só uma sopa de letras.

Eu tenho uma caixa preta
de espaços tão infinitos.
Sussurros superam gritos.
As órbitas são pros planetas!
Eu tenho uma caixa e tanto
portanto não quero nada.
Do afago ou de uma porrada
não ligo pro meu próprio pranto!
A vida fora da caixa
é um outro tipo de encanto...

Eu tenho apenas uma caixa
mas todo mundo tem a sua.
Abrindo tem carne crua.
Fechando vira tudo casca.
A caixa que escondemos guarda
um fundo falso e traiçoeiro.
Prazeres, ódios e dinheiro.
Os anjos, as bruxas e fadas...
A vida sem uma caixa
não dá pra ser carregada....

A vida sem uma caixa
não pode ser revelada...
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009


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Podem vir falar os servos e donos da razão.
Que venham os puristas, os coristas, os famosos!
Juízes, meretrizes, sagrados ou pecaminosos.
Fazer desse ato um crime não pode ser solução!

Que venham os bispos, os padres e pais de santo!
A imprensa vendida e a polícia comprada.
Os fiéis infiéis e a sociedade esfacelada!
Fazer desse gesto um crime só eterniza o pranto.

Aborte sim a idéia da vida acéfala e por um triz.
Aborte sempre o espírito de porco e o da pobreza...
Aborta a violência nossa violentada e infeliz!

Tira essa coisa de dentro de você quando quiser
fazer valer o direito de ser, de estar e de poder.
Decidir sobre o aborto é um direito da mulher!
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domingo, 16 de novembro de 2008



para Branca


Quero estar junto aos teus mais lindos sonhos

e te ver brilhar mais que um milhão de estrelas.

Quero estar perto aos teus mais belos gestos

e te ouvir falar o que não sei dizê-la.


Quero estar preso aos teus mais livres planos

e te sentir vibrar mais que uma vida inteira.

Quero estar sempre ao teu dispôr e alcance

e te apontar caminhos, não maneiras!
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domingo, 26 de outubro de 2008


arte: L.L.

Acho que vou sumir com você da minha vida!
Deletar seu nome, seu telefone, seu skype...
O eme-ésse-ene, perene, é quem vai
fazer do que foi algo que será jamais.

Acho que vou sumir com você da minha vida!
Desfotografar tantas imagens, tantos sonhos...
No esse-ó-ésse de quem se perdeu
leva-se o nada além do que já é seu.

Acho que vou assumir você na minha vida!
Salvar seu nome, seu telefone, seu cheiro...
O dois que damos, as muitas que demos
desfazendo o nunca mais pelo que seremos.

Acho que vou parar de achar e ter certeza!
Chutar o balde, chorar aos cântaros e sofrer...
Trezentos e sessenta e quatro vezes ao ano
Pra um dia, quem sabe, me reconhecer.

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domingo, 19 de outubro de 2008


arte: L.L. sobre Guernica de Pablo Picasso

Agora eu disse chega!
Ninguém mais pisa no meu calo!
Eu passo pelo gargalo,
meto o pé na porta assim!
Agora, chega. Chega!
Ninguém mais toma a minha parte.
Sobrou a violência e a arte,
o início, meia-bomba e fim!

Chega! Chega!
Chegou a hora da verdade!
Chega! Chega!
mais perto e sente a minha vontade!
Chega! Chega!
Não gosto de sentir saudade!
Chega! Chegou...
a hora de chutar o balde!!!!

Já disse. Agora chega!
Ninguém mais pisa a minha janta!
Eu passo pela garganta,
arranco até seu coração!
Agora, tenta chegar
qu´eu viro choque, eu viro enfarte...
Sobrou a violência e a arte,
o início, meia-bomba e fim!
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008


arte L.L.

Acontece que estamos sós.
Destemidamente sós.
Eternamente sós.
Desde sempre.
Pra todo o sempre.

E quando não estamos
assim ficamos.
Quando não queremos
assim, serenos,
pra sempre sós...

Se não nos sentimos nós
pedimos um SOS.
Socorram à nossa alma!
E esse ó, esse trauma
é o que sai da minha voz.

Esse é o esse-ó-esse
pra mim e pra quem ficou
completamente só.
Desde quando sinto dó
de mim e de quem eu sou?...

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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

OLHO CEGO


quinta-feira, 31 de julho de 2008

video
CLIQUE NO PLAY E OUÇA O POEMA...

arte L.L. (a partir de uma citação do amigo Adam Grzybowsky)

Tenho saudades do futuro...
Do que você me daria, do que eu te faria...
Do que poderia acontecer,

do que seria realmente viver.

Tenho saudades do futuro...
Do que nunca existiria, do que não resistiria.
Do que poderia ser, do que se teria a ver...

Tenho saudades do nosso futuro...
Do que crescesse em nós,
de nós desatando nós,
da gente fazendo história,
da glória de se sentir gente
mais-que-indecente
de um futuro
mais-que-perfeito
para se ter
saudades...

Sinto saudades do futuro
Porque o desconheço, porque não o vejo...
Porque o que poderia ser, acontecer, viver
É mais que uma saudade pelo avesso
É um fim com cara de começo
É algo que nem sei se mereço...

A saudade do futuro
é a certeza que o passado
foi um grande presente...
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quarta-feira, 30 de julho de 2008


arte : L.L.

Todo mundo tem amor pra dar.
Todo mundo tem amor.
Todo mundo tem que amar alguém.
Todo amor me faz tão bem.

Todo mundo tem no amor a paz.
Toda paz e amor me vem.
Toda hora o amor me faz melhor.
E eu não fico sem ninguém.

Ódio maior só existe no amor.
Dor de verdade é o amor que acabou.
Uma saudade é um amor que se vai.
Só dá vontade... um amor não se trai.

Ah...
O amor é o meu mundo!
No fundo ele é teu
também.
E quem amou assim
como eu amei...
viveu!

domingo, 27 de julho de 2008

video
CLIQUE NO PLAY PARA OUVIR UM REGISTRO VOZ E VIOLÃO...
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Preciso sossegar meu coração.
Descansar meu peito,
esquecer teu jeito e a emoção
de ter você em mim...

Preciso me acalmar, alguém me diz.
Alcançar meu sonho
já que não suponho ser feliz
sem ter você pra mim...

Preciso
do impreciso e precioso olhar
de quem pode enxergar
o lindo, leve e longo
amor que há.
Em cada um, desejo.
É no teu beijo que virá
o que me deixa a vida
doce, densa e boa pra te amar.

Preciso disfarçar minha razão,
dominar meu bicho!
Não achei no lixo essa paixão.
Melhor guardar pra mim...

Preciso confessar que precisei
me encontrar comigo.
Ser o meu amigo. E o que serei
nem sei se vai ter fim...

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sexta-feira, 25 de julho de 2008


arte L.L
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Não conte a ela sobre as minhas lágrimas,
nem minhas lástimas,
nem sobre tudo que me ouviu falar.
Só diga a ela que eu estou sentindo
uma vontade imensa de chorar...

Não conte a ela sobre as minhas dúvidas,
nem minhas súplicas,
nem sobre a dor que insisto em carregar.
Só diga a ela que eu estou querendo
uma resposta que é pra eu descansar...

Meu coração
quer uma história pra dormir contente
e acordar de um jeito diferente.
Olhar pra vida e ver a vida andar
Pra frente
eu vou sonhar com a tua alegria
e adormecer de novo a fantasia
que valeria até a morte chegar...

Não conte nada sobre os meus poemas,
nem meus dilemas,
nem sobre os versos que não sei rimar.
Só diga a ela que a realidade
é uma saudade que não quer parar...

Me conte tudo não me esconda nada
da minha amada
se ela disser qualquer coisa de mim.
E aproveite pra contar pra ela
que o meu amor por ela não tem fim!
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sábado, 12 de julho de 2008

video
Clique no "PLAY" para ouvir uma "demo" da música

Linda como a vida tem de ser
eu sei que a minha pode
e deverá permanecer
especialmente viva
e isso bastará pra mim...
Isso é viver!

Lindo como nasce o amanhecer
eu sei que esse imenso céu
irá te convencer...
Especial é a mente
e isso basta ao corpo
pra que eu ame você!

Tem tanta coisa que não tem explicação.
O melhor caminho é sempre o coração.
E por mais tolo que pareça
e mesmo que ninguém mereça -
eu sou paixão ! (volta I, II e IV)

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Tem tanta gente que não quer explicação.
O melhor começo é o fim de uma canção
E por mais tolo que pareça
e mesmo que ninguém perceba -
eu sou paixão !

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arte L.L.

A minha saudade não tem tamanho.
Ocupa o corpo. Em todo, em parte.
Me deixa tonto, me torna um mártir.
Saudade é mesmo um sentimento estranho...

A minha saudade não tem juízo.
Escuta vozes, não faz as pazes.
Me faz de louco, provoca gases!
Saudade, nunca mais! Eu não preciso!

A minha saudade não tem direitos.
Disputa espaços, me prende. É um laço!
Me dá, me toma, me induz ao vício.
Saudade é a falha de um amor perfeito.

A minha saudade não tem fachada.
É clandestina, é gringa, é palestina.
Me aterroriza, me atrai e me alucina.
Saudade boa nunca foi provada.

A minha saudade não é discreta.
Geme alto, grita baixo, é surda!
Me comove, deixa minha poesia muda.
Saudade é vida na forma incompleta!
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quarta-feira, 9 de julho de 2008



Bons ventos estes vespertinos ventos
que nos aproximam e fazem respirar
de todos o mais doce e rarefeito ar
que invade e inspira meus tempos...

Há tempos
desejo me encontrar...
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sábado, 5 de julho de 2008


video

clique no "play" para ouvir uma "demo" da música

PORQUE NÃO TEMOS DUAS VIDAS

Eu precisava chorar
pra deixar essa tristeza sair
de mim e o meu coração descansar.
Mas tanto foi meu pranto
e eu comecei a sentir
você, do meu lado, naquele lugar!

As palavras que não foram ditas -
malditas intenções subentendidas.
Eu quero o verbo teu
contando o que se deu
porque não temos duas vidas!

Eu precisava chorar
pra deixar essa tristeza sair
de mim e o meu coração descansar.
Mas tanto foi meu pranto
e eu comecei a sentir
você, do meu lado, naquele lugar!

As imagens que não foram vistas -
bandidas emoções quase infinitas...
Eu quero o sonho, teu
delírio junto ao meu
porque não temos duas vidas!

Dizem que os gatos têm sete
Vidas são pra se viver
Uma existência não vale
Se nela não tem você.
Já que se vive uma vez
Ache pra nós a saída.
Por que não temos duas vidas?

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segunda-feira, 23 de junho de 2008


arte : L.L.

Vou te pedir palavra.
Fazer uso da língua pra falar
que amor que não faz rima
pode mesmo se acabar.

Vim te pedir palavra.
Fazer uso da história e provar
que amor que tem memória
não se esquece de voltar.

Volto a pedir palavra.
Fazer tudo por ti e até te escutar.
Que amor se ama calado?
Que amante não tem o que falar?

Vai despedir palavras?
Fazer silêncio pra não se cansar?
A ira e a ironia ferem
mas a poesia pode curar!

Vem ficar sem palavras!
Fazer barulho com o teu olhar!
A alma não tem janelas -
só você pode enxergar!

Voa com as minhas palavras!
Faz as contas e vem me contar
se vale a pena ter ou dar sentido
àquilo que vai nos machucar.

Vá e dê lembranças a palavra!
Faça de tudo para se expressar.
O sentido da vida começa
quando o coração aprende a falar.
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terça-feira, 17 de junho de 2008


para Nali
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Nem no paraíso, nem na merda.
Estamos no limo! Você está certa!
Escorregando pela vida e agora
jogando muito dessa vida fora.
Descobrindo, cada qual, sua descoberta...

Nem no céu, nem nesse inferno.
Estamos no limo! O limo é eterno!
Enlambuzados pelo prazer completo.
Lotando ainda mais o peito repleto
de estações cada qual com seu inverno...

Estamos no limo! Estamos no limo!
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segunda-feira, 16 de junho de 2008


arte L.L.

Hei de esperar dos encontros
que os desencantos e os prantos cessem.
Hei de pedir que regressem
os pensamentos sãos e os desejos tontos.

Hei de desejar que os aprontos
tornem-se páreos em gramas leves.
Hei de falar o que não toleres
os sofrimentos vãos, o meu e o teu confronto.

Contornam a curva de chegada e entram.
Na reta final o final é o que menos importa.
No bolo, é cabeça a cabeça e Inês é morta!

Seremos a dupla na exata individualidade
que atropela e que também é atropelada
Pule de cem ou com nós dois - é barbada!

quinta-feira, 5 de junho de 2008


foto: internet / arte: LL
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Você é carnívora.
Mastiga e come a minha vida!
Nutre-se de meus sonhos e
respira com meu fôlego.
Viro assim tua comida
em pesadelos medonhos...
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terça-feira, 3 de junho de 2008


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Incontrolável e alucinada
sensação multiforme e viscosa!
Mais poesia, menos prosa.
Mais cortante que aveludada.

Está do fio ao pavio curto,
emoção disforme e poderosa!
Mas seria pelo ou seria tosa?
Menos mente. Mais um surto!

Tesão é palavra graúda.
Reflete o viril e a mais gostosa
É pra quem não precisa de ajuda!

"T" grande é uma letra só
feita pra ter e pra vir do fogo.
Matéria viva que vira pó!



internet / arte : L.L.

Às vezes sinto que você é reticencias...
Outras vezes, exclamação irracional !
Muitas outras, dois pontos explicando :
nunca haverá ponto final.
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domingo, 1 de junho de 2008


internet/ arte L.L.

Em que ponto da vida eu vivo?
Equidistante estou tão perto,
estou tão distante...
Em um ponto eu e a vida concordamos -
O que somos e onde estamos
só existe neste instante.
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sexta-feira, 23 de maio de 2008


arte L.L.

O MEU QUERER

Quero ser deus. Quero ser deusa.
Quero ser pão, quero ser praga.
Quero chorar mas não levo mágoa.
Quero ser tudo pra não ser nada!

Quero ser teu! Quero ser de todos.
Quero dar mais, quero ser aos poucos
o querer bem e o querer de novo
pra querer ter esse mundo todo...

O que eu quero é nunca mais sofrer.
Quanto mais eu desejo... isso é viver!
O que falta pra mim é só você.
Vem pra cá sossegar o meu querer.

Quero ser bom. Quero ser bomba.
Quero cuspir e engolir a seco.
Quero terminar logo no começo
quando não querer mais pagar o preço.

Quero ser eu cada dia outro.
Quero querer feito Caetano.
O “quereres” sempre será soberano!
Só quem sabe o certo não comete enganos...
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terça-feira, 20 de maio de 2008

video

Clique no PLAY patra ouvir o poema TEMPOS EM TEMPOS...

sexta-feira, 16 de maio de 2008


internet

TEMPOS EM TEMPOS

Já houve tempo
que não havia tempo
pra dar um tempo.
Tempos obscuros
que, de tempos em tempos,
faziam fechar o tempo!

Meu tempo é curto
e longo ao mesmo tempo.
Tempo mau sujeito aos bons.
Tempo mais que perfeito em sons.
Passatempo em febre subindo
e descendo os tons...

E esse meu tempo preservado,
diante da pressa ou da morosidade alheia,
é o que faz a hora mas também
espera acontecer.
É o que cuida de mim e dos outros
para ninguém se arrepender.
Tempo é para se viver!

Viva o tempo! Viva o seu tempo.
Tempo pra se viver e recomeçar.
E que terá
como maior intento
estar atento com o seu passar...
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quarta-feira, 14 de maio de 2008


internet
EU, MEU POVO E A MINHA LIBERDADE

Meu povo sabe muito bem o que é a liberdade.
Sabe porque perdeu-a por inúmeras vezes
sem que o mundo demonstrasse humanidade.
Sem que houvesse compaixão nem piedade...

Levantamos pirâmides com sangue, suor e ossos
e até hoje admira-se o que matou tantos dos nossos.
Atravessamos desertos, cruzamos continentes.
mas para muitos seremos nada além de sobreviventes.
Parimos gênios nas artes, nas ciências,
Einsteins, Sabins, Freuds, Kafkas, Chaplins, Spielbergs...
Mas poucos sabem de onde vem toda essa gente...
Como a sua arte, o seu conhecimento,
deram liberdade de expressão
e de emoção a um mundo inteiro!

Com ou sem a liberdade física conseguimos
tornar latente a liberdade da mente!
Pela educação. Pela tradição.
Aprendemos que a verdadeira liberdade
vive mesmo dentro do nosso coração.

A liberdade dos negros não é negra.
A dos índios não é vermelha...
A dos judeus, dos palestinos,
dos monges do Tibet,
e dos povos e mais povos
tem a cor do seu juízo!
É prejuízo dar nome e sobrenome à liberdade.
Ninguém ganha com isso além de sua própria falta.
A liberdade sequer existe em plenitude
porque só a sentimos quando a perdemos.
Só a aproveitamos quando a conquistamos.
Só a saboreamos quando a comemos!

À liberdade se constrói estátuas, praças...
Faz-se versos, poema, canção...
Mas quem seria capaz de defendê-la
sem tê-la como seu maior bastião?
Sem sentí-la pulsar em tentação?
Sem cogitar pensamentos perversos!
Sem desejar que a sua liberdade seja
maior que a de uma nação?

Todos querem
a liberdade libertada da eterna vigilância...
Paga-se um preço!
Melhor seria a escravidão e a chicotada
que o indulto ou o insulto que não mereço.

A liberdade da princesa Isabel não interessa!
A dos colonizadores, dos exploradores,
dos defensores da moral e dos bons costumes
pra mim não presta!
A liberdade do que mata, do que rouba,
do que estupra é liberdade sem festa!
A liberdade incondicional...
esta também é funesta!

Meu povo,
que também é o teu povo
e povo de algum lugar nenhum,
saberá que para sempre haverá
um sonho pra se sonhar,
a verdade para se falar,
e a liberdade para se libertar!
Feito em 13 de maio de 2008 por ocasião do Corujão da Poesia temático
sobre a Liberdade, a Abolição, etc...
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segunda-feira, 10 de março de 2008


foto L.L.
APANHO E BATO

Enterrem seus mortos.
Criem seus filhos.
Saiam dos trilhos
por caminhos tortos.

Esperem sentados.
A esperança é um ócio.
O estado é o teu sócio.
O meu sonho é acordado.

Apanho e bato também.
Vem que eu preciso de alguém...

Socorram o planeta
e salvem a si próprios.
Os males são óbvios
e o mundo é careta!

Esqueçam os mitos
ou soltem as feras.
A vida que esperas
eu nem acredito!

Apanho e bato tão bem
Vou me defender de ninguém.

Eu vou te contar,
confessar quem eu sou
e pra onde eu irei.
Mas é bom que você
nunca saiba
o que eu sei...
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sábado, 1 de março de 2008



ENCANTAMENTO CABOCLO

"O maior dos encantamentos é o que carrega
nossos olhos na direção do que nos cega."
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008


arte LL

O QUE HÁ

Eu tenho um jardim só pra mim
e uma flor que não quer ser amor
pra não ter que morrer...

Nada é imortal e é melhor
ser assim. Haja um fim
pra ter, sim, muita coisa a dizer.

Há poesia em tudo que eu posso tocar.
Há um vão imenso a nos separar.
Há uma tempestade, zona no canil.
Uma vontade, um mundo que partiu!
Pra que eu preciso um céu da cor do anil?

Eu tenho um luar cor-de-chá
e um papel pra escrever o que eu sou
e o que eu sinto sem ver.

Nada é anormal e é melhor
ser assim. Eu por mim.
Eu por nós. Muito pouco a fazer...

Há história em tudo que eu posso viver.
Não há nada que me faça te esquecer.
Há um furacão abagunçando o ar.
Uma saudade, o tempo de esperar...
Pra que eu preciso da terra e do ar?

Não preciso nada além
do que vem de você...
Dá pra mim um pouco desse teu olhar.
Dá pra mim na hora qu´eu quiser te amar
Há o fim dos tempos mas eu vou cantar.
Minha vontade era crucificar
meu coração pra ele ressuscitar
em tuas mãos!
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008


internet
TODAS AS MANHÃS

Uma dose
de minha atenção
não muito tensionada
é o que te dou
todas as manhãs.
Pode te parecer um drink
mas, não brinque,
pra mim é um santo remédio!

Que tem na bula o que te bajula
e o que não te amola.
Que bate ponto e de bate-pronto
não te contesta nem te incrimina.
Não te deleta, não te vacina.

Uma dose
de minha emoção
não muito emocionada
é o que te empresto
todas as manhãs.
Posso te parecer um tolo
mas, não te enrolo.
Pra mim o santo não é remédio!

Tenho na mente o que você sente
e o que não te basta.
Que mete bala e, do quarto à sala,
não te molesta nem te conforta.
Eu tenho a chave e você a porta!

Uma dose
de meu interesse
nem um pouco interesseiro
é o que tento te dar
todas as manhãs.
Podes não enxergar beleza
mas, com certeza,
sou santo veneno e maldito remédio!
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sábado, 2 de fevereiro de 2008


internet

MASTIGANDO VOCÊ
para a música do amigo Bertho Luzzi

Faz de conta que é você
que vai dar seu coração.
Vai vender a sua alma
por um pouco de emoção.

Faz a conta! O meu prazer
é maior que o meu amor.
E a pergunta que não cala -
Você vai pra onde eu for?

Na boca da noite sonhos disfarçados
em versos rimados. Sem qualquer razão...
Você vira um bicho, algo inominável.
Um corpo indomável feito furacão...
Canto o que me encante
feito um ruminante
mastigando você...

Faz de conta que eu sou teu.
Que vai ser pra sempre assim.
Vou te dar no meu destino
chance de chegar ao fim.

Faz a conta! O tempo é mais
tempo quando a gente dá
tudo que se tem pra nunca
ter o que se lamentar...
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008


arte LL

SER OU NÃO SER HUMANO

Bárbaros. Bélicos.
Inquisidores. Raça Ruim.
Ser humano é podre sim !
Mais cedo ou tarde
o ódio vem
e fim.
Ser humano é animal.
Chega a morrer pensando
que é imortal !

Sátiros. Cínicos.
Imperadores. Donos do caos.
Ser humano é ser do mal
mas ser do bem
é muito mais
legal.
Ser humano é humanizar
os desumanos
sem amor pra dar...

Ser ou não ser?
Eis a questão do ser humano!
Como entender nosso ser
com o passar dos anos?

Ótimos. Ávidos.
Progenitores. Filhos de Deus.
Ser humano é ser dos meus
Guarda segredo
Escrito e nunca leu.
Ser humano é ser canção
Início e fim e às vezes
sem refrão.

Últimos. Íntimos.
Perto demais não se vê bem
Ser humano é o que se tem
De bom, de mal,
e não se vive
sem.
Ser humano é ser além
De estar em si
e ser de si também.

Ser ou não ser?
Eis a questão do ser humano...
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domingo, 27 de janeiro de 2008


Para Miriam Ficher

30 ANOS DE VOCÊ E EU

Não são trinta horas, nem trinta dias.
Nem trinta semanas ou trinta meses.
Trinta anos são o que nos são, às vezes,
tempos pra fazer o que ninguém faria.

Trinta poderia não ser trinta amigos.
Nas mãos não caberiam tantos indivíduos.
Trinta e tantos anos – nenhum tão assíduo.
Mas no coração um lugar garantido...

Trinta não acaba; trinta vira purpurina.
Junta com o confete e tudo é carnaval.
Como puta velha enrolada em serpentina.

Trinta anos tão juntos, parece um exagero
Como não como amiga... é o que eu te digo:
Amigo de mulher... é cabelereiro!
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sábado, 26 de janeiro de 2008


Por conta de uma pedra em meu rim esquerdo fui obrigado
a ausentar-me deste Blog por um tempo. No hospital,
revoltado com o que o destino me reservara, escrevi
este poema inspirado nas bizarrices que ilustravam minhas
primeiras leituras ainda quando adolescente - os sonetos
de Augusto dos Anjos...





internet Arte LL

A MALDIÇÃO DA PEDRA

No meio do meu rim tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do meu rim.
E pra quem acha que isso não é tão ruim
fica no ar um verso e a rima que medra.

Dor estúpida, intraduzível e insuportável,
recaia sobre meus desafetos em maldição
devorando e consumindo em constipação
o âmago amargo de sua índole abominável!

Que os buscopans ou profenids fracassem
diante das dores como as de um parto sem feto.
Como se os males nunca mais se acabassem...

Que o desespero imposicionável do corpo
encontre um infinito sem-descanso e sem-sossego
em todas as cólicas para desejar-se morto!


sexta-feira, 18 de janeiro de 2008


internet Arte LL

MATANDO VONTADES

Meio que por encanto.
Como se fosse um canto de sereia.
Algo na veia, no vento, nas ventas...
Trocentas lembranças!
Só leia...

Às dúzias, às pencas!
Uma avalanche chamada você.
Densa na convivência,
Imortal na memória,
Inesquecível no prazer e
Imoral em certa história....

Verdades são verdades
E feridas são feridas.
Mas o que há de melhor na vida
senão morrer de saudades...?
Senão matar as vontades...?
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MANIFESTO

Não. Não suporto a ignorância das massas.
Incomoda-me essa catarse popular sombria
em torno de mitos populares, religiosos...
Multidões cultuando o efêmero, o bizarro.
Os campeões do mundo e seus esparros
em seus submundos repletos de desilusão.

Será que o orgulho nacional não aflora
de maneira portenha, na base do panelaço,
para tirar o cabaço dessa história brasileira
repleta de equívocos e maledicências?
Até quando seremos adjacências ?
O cu do mundo onde a falsa é a verdadeira!

O que leva a reprodução de nossa espécie?
Somos filhotes vira-latas sem raça e sem rabo.
Sem tradição democrática, resistências parcas
restritas a uma meia dúzia de zumbis idealistas
misturados a outra meia dúzia de racistas,
fazendo o óbvio, o bovino, mas deixando marcas...

A impressão que tenho é que preciso partir.
O desejo que sinto é o de nunca mais fingir
ter o que não tenho, ser o que não sou.
De juntar-me às multidões em fúria ensandecida
linchando cada corrupto, cada homicida.
Sem um pingo de pena de quem me roubou!

Não. Não falo só por mim ou por alguém.
Falo pelas multidões silenciosas e anônimas.
Falo do que me fere e pelo que protesto.
Somos todos reféns de nossas consciências
a mercê de nossos destinos ou coincidências.
Sem vergonha de fazer e de mostrar seu Manifesto!
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terça-feira, 15 de janeiro de 2008



Minha amiga Marta Murat, após ver este Blog,
mandou-me um email com a seguinte mensagem:
Só hoje pude ver.
E te conhecer melhor.
Bonito. Intenso.
Fiquei pensando como deve
ser difícil para voce
viver o cotidiano.
Não me pergunte porquê.
Foi o que me veio .
beijão.
Aqui respondo:

Na verdade eu sou um ET
disfarsado de poeta,
vivendo no mundo da lua,
pensando que é um astro...

Minha vida sem gravidade
me faz flutuar no espaço
infinito do compromisso
a tudo que me completa.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008


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OLHOS VENDADOS

Eu penso em você.
Não nego.
Te desejo o dia todo –
não sossego!
Me lembro do que não bastou
e renego
a vida que me basta
mas que me deixa cego.

Eu sinto em você
meu ego
e me agarro a noite toda
ao que me entrego!
Me esqueço do que deixei
e carrego
comigo somente
o que me apego.

Deus é desejo, sabemos.
Amor é o diabo, supomos.
Reze por nós e ao que somos.
Milagre maior é o que vivemos.

Tudo é pecado. Pequemos!
Benção dos céus é a poesia.
Nosso tesão não dá cria.
Gosto bom? Só o dos venenos...

Tudo é passado e me passa
pelas cabeças e forças.
Mesmo que queiras, que torças...
nada no mundo é de graça.

E eu pago o preço da pressa.
E dessa compra não peço troco.
Sou um médico, sou um louco
sem medida ou quem me meça.

Pra acabar com esse pique-pega,
resumir a coisa toda e completa -
leia tudo de novo e deleta!
Olhos vendados não te deixam cega...
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domingo, 13 de janeiro de 2008


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CHORO SEM FIM

Tenho chorado à toa...
Do nada as lágrimas escorrem
percorrendo um rosto sem cara.
Brotam dos cantos dos olhos
turvando as imagens
de tudo que é canto.

Perdi o encanto...

Me afogo todo dia
e não há mágica que faça
desaparecer o pranto.
Choro porque estou à toa...
Choro por ocupação.
Choro com a sessão da tarde.
Choro com o corujão.
Tenho chorado na cama, na rua.
Pelos males meus, pelas dores tuas...
E cada vez que choro me pergunto:
Quem ou O Que vale no mundo?

Tem gente que chora rindo.
(Eu não consigo rir de mim mesmo...)
Parece que a vida é uma piada
e eu não acho ela engraçada...
Quem chora como eu choro
dá muito valor a uma risada!

Tem hora que o choro rouba o ar
(a morte parece um doce remédio...).
Os olhos enrubrecem, as narinas fecham
e mesmo que as montanhas se mexam
quem chora como eu choro
sabe das marcas que as lágrimas deixam!

Homem não chora rapá!
(meninos como eu ouviam isso toda hora...)
Maricas era quem não partia pra porrada.
Mulherzinha quem tinha roupa bem passada
Quem chora como eu choro
não precisa provar nada!

Chorar baixinho é uma merda.
(Quem tem vergonha chora assim....)
Pra ninguém ver sua tristeza,
para não desfazer sua beleza,
interpreta uma pedra de gelo.
Finge do começo ao fim !

Eu não me importo com nada.
(Choro onde tiver que chorar...)
Na frente de estranhos, pra mim é natural.
Caguei se pensam que sou sentimental!
Interpreto ninguém além de mim!
Respondo o que quero perguntar...

Ta passando mal? Calma, vai passar!
Magoou? Em que posso te ajudar?
Porra nenhuma!!! Quando a gente chora
a vontade é de simplesmente dar o fora.
Nada mais previsível e compreensível.
Nunca mais e nada mais
a falar!
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008


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PRO FUNDO

Lá das profundezas,
das profundezas,
das profundezas
de mim
sinto-me assim –
submerso em versos
que não têm
mais fim.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008


arte LL

MEIO INTEIRA

1/2 dose de você com gelo!
Meia inteira,
meia parte,
a pelo.
1/2 noite com você é o selo
e o sinal...

1/2 quilo de você sem osso!
Meio inteiro,
meio parte.
Aposto:
1/2 dia com você é pouco
e fatal....

Meio tarde pra você é um mito!
Meio deusa,
meio musa.
Aflito.
Meio-fio com você é um risco
normal...

Meia entrada como um estudante!
Meio fraco,
meio caco.
Errante.
Meia luz com você é um instante
sensual...
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008


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HOJE NÃO

Hoje não há inspiração.
Parece luto.
Fim de um ato,
puro insulto.
Em suma...
chora o meu coração!

Hoje não há luz nem som.
Pareço cego.
Fim das cores.
Só me entrego.
Alguma
hora aparece o lado bom!

Hoje não há despedida.
Parece até logo.
Fim dos tempos,
Um epílogo que
exuma,
agora, toda minha vida...
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terça-feira, 8 de janeiro de 2008


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SÁBADOS E DOMINGOS

Sábados sempre passam correndo.
Gostaria mesmo que eles voassem !
E que domingos lindos acordassem
tarde e entardecessem me comovendo...

Sábado tem missa e domingo festa.
Primeiro o pecado, depois mais ainda.
Sábado é o gato. Domingo, não finda...
Páscoa do meu coração que não presta.

Doce feito chocolate, amargo feito traição.
Tudo é tão palatável e, na minha língua,
tumulto vira a mais profunda solidão...

Mole feito maria-mole e molde pra alucinação
Tudo em mim é o incontrolável que míngua
à margem da vida e da minha impressão...
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domingo, 6 de janeiro de 2008


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OBNUBILADAMENTE

É fato. É bom demais.
Fazer contigo
é o que me apraz.

É poço. Que não tem fim.
Fonte da vida
que existe em mim.

É doce. É delicada.
Fera ferida.
Onça pintada.

É boa que me alucina.
Seu corpo faz
o que nem imagina!

Então...
de onde vem as suas lágrimas ?
Pra onde vai o seu prazer ?
Obnubiladamente
vai se dando sem querer...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008


Arte LL

VERSOS NOVOS

Parece um espasmo. Profundo.
Um parto de dores múltiplas.
Início das coisas últimas.
Um zero redondo e rotundo!

Indício do que será sucesso.
Um aborto de alívios rápidos.
Final de longos sonhos cálidos.
Inconcebível e improvável recomeço.

Ai de mim que ainda penso no tempo
e que vivo esperando milagres.
Esperança minha não se vai com o vento...

Ai de mim que ainda piso em ovos
e que morro de medo de maldições.
Benção maior é sempre ter versos novos...
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008


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APAIXONADOS

Viva os apaixonados!
Vivam os apaixonados!
Sobrevivam às paixões se puderem e
vivam sob às ilusões se resistirem...

Vida aos apaixonados!
Vide os apaixonados
que morrem de amor se prestarem e
matam suas vontades se persistirem...
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terça-feira, 1 de janeiro de 2008


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CARTA AOS QUE NÃO LÊEM

Já olhou onde este texto acaba?
Muita coisa pra ler, né?
Aliás, ler não é bem a sua, não é?
Essa coisa de deslizar os olhos
por sobre trilhas de letras trôpegas e ter que
pular para outra linha cansa, não é mesmo?

E virar a página? Hum... dá um trabalho...
Por isso você prefere o controle, não é isso?
É só apertar os botõezinhos que, dependendo
da sua inteligência pré-primariana,
dá até pra decorar as posições dos principais canais...

Mas, olha, faça um esforço.
Eu torço pela sua evolução animal
e acredito - diante do santo e do maldito -
que você descobrirá uma forma de ler
sem que isso te faça nenhum mal...

O que escrevo tem de entrar pelos teus olhos
e voltar ao mundo exterior pelos teus poros
ou pelo teu orgasmo.
É isso que eu quero.
Definitivamente sincero - é isso que eu espero.

Por isso derramo todos os dias
milhares de letras, pontos, vírgulas...
Para te dar minha visão, meus aspectos.
Minha paixão – os circunflexos!
A rima maluca e desprovida de sentido
mas que para este ouvido soa feito verbo
mais-que-perfeito-e-compreendido...

Se você chegou até aqui e não se sentiu
atingido ou magoado, caro leitor ou leitora,
a boa é deixar-se levar pelo destino.
O verso é apenas um menino
que crescerá contigo fazendo de ti
um homem ou uma mulher.
Fazendo de ti aquilo que você leu.
E compreendeu.

Por isso a preguiça de ler já fez vítimas.
Meu coração expresso em palavras
não é luz para quem não as quer íntimas.
Não faz jus a quem vive nas trevas!

Cada verso que escrevo tem a intenção
de te cutucar. De te cutucar! De te cutucar!
De te tirar do sério e de te travar a língua!
De te deixar pensando ao léu e à míngua
que coisa é essa que te mexeu sem te tocar?

Vamos em frente leitores do meu país!
Aqueles que só lêem quadrinhos
e os que nem isso lêem.
Os noveleiros, os desbundados,
os que em nada crêem,
os cartazistas, os pornografistas e os letrados!
Venham todos obnubilados
pela maior viagem que é ler e se deixar levar...

Repare que as palavras são códigos.
Representam, cada uma delas,
iluminantes velas a arder na chama
dos cérebros e corações pródigos.

Queimam, derretem, fedem mas iluminam.
É por isso que escrevo.
Para chamarem-me de imbecil, de gênio,
de otário, fascista, comunista, poetista,
romancista, exibicionista...
E, às suas vistas, parecer um pouco contigo.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007


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ANO VELHO

Tchau, ano velho...
Nada a reclamar.
Você já acabou mesmo...
pra que falar?

Lembrar do passado
é bobagem,
o presente tá de sacanagem
e o futuro não se pode esperar...

O amanhã não existe. Valeu?
Mas sei que ele será todo
e completamente meu!
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domingo, 30 de dezembro de 2007


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ÁCIDO

Sinto-me um ácido. Corrosivo e corroído.
Queimo e ardo feito bruxa na fogueira
cheio de razão, coerência e desejos...

Ácido mutilante, borbulhante e benzido.
Choro e rio feito criança na soleira
cheio de emoção, inocência e lampejos...

Rasga-me em mil partes o incontido.
Alastro minha agonia feito coceira
cheio de tesão, indecência e gracejos...

Sulfúrico, lisérgico, nítrico e falido.
Derreto e sumo feito feiticeira
cheio de visão, demência e cortejos...
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sábado, 29 de dezembro de 2007


arte LL

EM MEUS SONHOS

O sol anda nascendo quieto.
Não o recepciono mais.
Não me decepciono mais.
Não amanheço mas...
vejo o sol em meus sonhos.

O céu anda escuro, inquieto.
Não o compreendo mais.
Não me contento mais.
Não entardeço mas...
vejo o céu em meus sonhos.

Eu mesmo ando vazio, de afeto.
Não me reconheço mais.
Não me pareço em paz.
Não sou nada mas...
vejo o que quero em meus sonhos.
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